ABA vs Floortime vs Denver: Qual a Melhor Abordagem para o Autismo?
Quando o diagnóstico de TEA chega, as famílias rapidamente descobrem que existem várias abordagens terapêuticas — e a internet diz coisas contraditórias sobre cada uma. Este guia compara as três mais usadas no Brasil: ABA, Floortime (DIR) e ESDM/Denver. Se você procura uma clínica de Terapia ABA em Cascavel, este artigo te ajuda a entender o que está sendo oferecido — e o que não está.

Dra. Jaqueline Begnini
AutoraPsicóloga (CRP 08/26963) e Neurocientista | Especialista em Terapia Infantil
Pós-graduada em Psicopedagogia, Neurociência, Neuropsicologia, TCC e Ludoterapia. Atua há 8 anos com avaliação e intervenção neuropsicológica infantil (2 a 16 anos) em Cascavel-PR. Atendeu mais de 1000 famílias ao longo da carreira e é fundadora da Clínica Infantástica e do @ensinejogando (+20 mil seguidores).
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- ABA tradicional — maior base de evidências, mais estruturada, melhor para TEA moderado/grave e fase inicial.
- ESDM/Denver — é ABA naturalística para 12-48 meses, padrão-ouro internacional para intervenção precoce.
- Floortime (DIR) — foco em desenvolvimento socioemocional via brincadeira; melhor como complemento ou para TEA leve com boa iniciativa.
Na prática: não escolha "uma só". A maioria dos programas modernos combina elementos das três conforme o perfil da criança.
O que é cada abordagem
ABA (Applied Behavior Analysis)
Ciência aplicada que estuda como comportamentos são aprendidos e modificados pela interação com o ambiente. Usa princípios como reforço positivo, modelagem, encadeamento, análise funcional e ensino por tentativas discretas (DTT). Pode ser conduzido em formato estruturado (DTT) ou naturalístico (NET/PRT).
Origem: Lovaas (1960-70s), com mais de 1.000 estudos publicados.
ESDM (Early Start Denver Model)
Modelo desenvolvido por Sally Rogers e Geraldine Dawson na Universidade de Colorado-Denver. É uma forma específica de ABA naturalística para crianças de 12-48 meses, integrada em rotinas de brincadeira. Combina rigor científico do ABA com elementos do desenvolvimento típico.
Evidência: Estudo randomizado de Dawson (2010) mostrou ganhos significativos de QI e adaptabilidade aos 4 anos de idade.
Floortime / DIR Floortime
Modelo criado por Stanley Greenspan. Foca em desenvolvimento socioemocional através de brincadeira espontânea no chão, seguindo o interesse da criança. O terapeuta entra no "mundo" da criança, expande gradualmente e estimula 6 marcos socioemocionais. Menos estruturado e sem coleta de dados sistemática.
Evidência: Estudos menores, mas crescentes. Mais valorizado por famílias que rejeitam abordagem comportamental clássica.
Tabela comparativa
| Critério | ABA tradicional | ESDM / Denver | Floortime |
|---|---|---|---|
| Idade ideal | 3-12 anos | 12-48 meses | 2-8 anos |
| Intensidade típica | 20-40h/sem | 15-25h/sem | 5-15h/sem |
| Estrutura | Alta (DTT) ou Média (NET) | Média (brincadeira estruturada) | Baixa (brincadeira livre) |
| Coleta de dados | Sistemática | Sistemática | Qualitativa |
| Foco principal | Habilidades + redução de comportamentos | Desenvolvimento integrado precoce | Vínculo socioemocional |
| Evidência científica | Muito alta | Alta | Moderada / limitada |
| Cobertura por plano de saúde | Sim (Lei 12.764) | Sim (Lei 12.764) | Variável |
| Custo por sessão (Cascavel) | R$ 120-180 | R$ 130-200 | R$ 130-180 |
Quando cada abordagem é mais indicada
ABA tradicional é melhor quando
- Criança 3+ anos com TEA moderado/grave (níveis 2-3)
- Comportamentos desafiadores significativos (agressividade, autolesão, fugas)
- Necessidade de aprender habilidades funcionais específicas (autonomia, comunicação alternativa)
- Plano de saúde com cobertura ABA — onde é mais fácil obter autorização
ESDM/Denver é melhor quando
- Criança entre 12-48 meses com diagnóstico ou risco aumentado de TEA
- Família altamente engajada e disponível para coaching parental
- Você busca o que há de mais atual na intervenção precoce
Floortime é melhor quando
- Criança com TEA leve (nível 1) e boa iniciativa comunicativa
- Como complemento a um programa ABA principal
- Famílias que rejeitam abordagem comportamental clássica e priorizam vínculo afetivo
Combinando abordagens: o melhor dos três mundos
Na prática clínica moderna, raramente se usa uma abordagem "pura". Um programa bem montado para uma criança de 3 anos com TEA moderado pode combinar:
- 15h ESDM (brincadeira estruturada com objetivos ABA)
- 5h DTT clássico (treino intensivo de habilidades específicas)
- 2-3 sessões de Floortime semanais com os pais (vínculo e expansão socioemocional)
- Coaching parental semanal para generalização
O fundamental: a equipe principal tem que ser ABA-formada (com coleta de dados e plano mensurável), e a integração deve ser planejada — não improvisada.
O que perguntar antes de fechar com uma clínica
- Qual abordagem é a base do programa? (Resposta deve ser específica: ABA, ESDM, ou combinação clara)
- Quem supervisiona o programa? (Procure por BCBA, BCaBA ou psicólogo com pós em ABA/análise do comportamento)
- Como vocês coletam dados de evolução? (Tem que haver coleta sistemática, não só impressão clínica)
- Qual a intensidade indicada e por quê?
- Como funciona o coaching parental?
- Vocês ajudam a solicitar cobertura pelo plano de saúde?
Próximos passos
Se você está nessa fase de decisão, vale uma conversa inicial com uma equipe que trabalhe as três abordagens — assim você entende qual combinação faz sentido para o seu filho. Conheça:
